Mais atividade física para a Terceira Idade


Quando estive na Europa, notei a grande quantidade de parques com aparelhos disponíveis para adultos. São muitos “playgrounds” com aparelhos de ginástica dirigidos tanto para a melhor idade quanto para as crianças, voltados principalmente para desenvolver equilíbrio e força muscular. Encontrar um conjunto de equipamentos ao ar livre é razoavelmente comum em todo o continente.

Na Finlândia, visitei uma praça na qual havia bolas suíças fixas para fazer exercício típico de pilates e uma outra atração: um pequeno equipamento para escalada suave. São lugares coloridos nos quais adultos podem se exercitar, da mesma forma que as crianças. Por isso, é bastante comum ver avós e netos juntos brincando, praticando atividades físicas. Há também “playgrounds” específicos para portadores de deficiência física. Naquele país, cerca de 37% das pessoas com mais de 75 anos vivem sozinhas e 41% saem apenas para se exercitar. Com temperaturas negativas durante quase todo o ano, a região nórdica poderia ter muito mais pessoas inativas, mas parece haver a consciência de que a saúde na terceira idade está atrelada à atividade física.

No Brasil, também percebo alguma movimentação de se preparar a área urbana para atender a idosos, com a instalação de academias da terceira idade, dotadas de equipamentos especialmente projetados para adultos, em parques, praças ou centros de convivência. Algumas delas funcionam como verdadeiras academias, com professores de educação física, que supervisionam os exercícios físicos e dão orientação. As iniciativas são relevantes, uma vez que a população está envelhecendo. Segundo o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), já em 2010 os idosos somavam mais de 190 milhões de pessoas correspondendo na ocasião a 7,4% da população - índice que era de 5,8% em 2000. O aumento da longevidade é uma realidade para a humanidade e o exercício físico se torna cada vez mais necessário, já que entre 50 e 70 anos ocorre uma perda de 10% da massa muscular, que aumenta para 30% após os 70 anos.

Os equipamentos fabricados para pessoas idosas, no geral, facilitam o exercício físico e, quase sempre, são projetados para a prática de exercícios leves. Há aparelhos para trabalhar todas as partes do corpo: cabeça, tronco, membros inferiores e superiores. São exercícios diferentes para mexer o que normalmente os adultos nem se lembram de exercitar. Nos parques públicos, os equipamentos projetados especialmente para a terceira idade simulam movimentos de caminhada, cavalgada, barco a remo, esqui e surfe e se destinam ao fortalecimento e flexibilidade muscular do idoso.

No geral, o idoso tem medo de cair ou se machucar. Assim, os equipamentos costumam ter pontos de apoio e permitem realizar mais facilmente os exercícios com movimentos que visam ampliar a mobilidade de ombros, cotovelos e quadris, fortalecer a musculatura de braços e pernas, aumentar o equilíbrio e a coordenação motora. O equilíbrio é um elemento-chave para o idoso. Sem ele, a tendência é a pessoa atrofiar ainda mais a capacidade de movimento, que ocorre naturalmente ao envelhecer, provocando a diminuição da coordenação. Com a melhora do equilíbrio, é possível desenvolver outras aptidões, como agilidade, coragem e humor.

Com a idade, a lentidão dos movimentos deteriora a independência da pessoa. Boa parte dos idosos sofre com problemas de falta de agilidade e restrição de mobilidade por causa do sedentarismo. Parados e dentro de suas casas ficam tristes e solitários, podendo desencadear a depressão. Sair, caminhar, tomar sol e encontrar pessoas pode significar uma mudança e tanto neste estado de espírito. A atividade física tem papel fundamental na produção de serotonina, o hormônio da felicidade, e no combate ao desenvolvimento de doenças consideradas senis. Fazer exercícios algumas vezes por semana pode ser a diferença entre ficar doente ou ter saúde.

Por que então não fazer com que isso seja algo lúdico e não uma obrigação? Qualquer adulto sabe que a criança que brinca se desenvolve feliz.

Um estudo feito por Richard Faull, professor da escola de ciências médicas da universidade de Auckland, na Nova Zelândia, revelou que brincar estimula o cérebro a produzir novas células. O trabalho do pesquisador verificou as diferenças entre os cérebros de 400 pessoas com algum tipo de doença degenerativa (Alzheimer, Huntingron, Parkinson), epilepsia e esquizofrenia. Então, exercícios e jogos apropriados para adultos são indicados. De acordo com o estudo, brincar e os jogos de tabuleiros – que também podem ser jogados ao ar livre – são atividades que ajudam a garantir melhor qualidade de vida.

Envelhecer não significa parar ou deixar de ter alegria. E um bom sinal de que os “playgrounds da longevidade” contribuem para a boa qualidade de vida foi um dado de um posto de saúde em Londrina (PR), que reduziu o volume de consultas em 30% após a instalação de alguns aparelhos colocados ao lado. Como disse George Bernard Shaw, irreverente escritor e dramaturgo irlandês: “Nós não paramos de brincar porque ficamos velhos, nós nos tornamos velhos porque paramos de brincar.”

Um abraço, saúde e longa vida!

Dr. Fabio Ravaglia

Desde 2005, o dr. Fabio Ravaglia preside o Instituto Ortopedia & Saúde, organização não-governamental que tem a missão de difundir informações sobre saúde e prevenção a doenças e que organiza o Projeto Cidadania – Caminhadas com Segurança, evento mensal que incentiva a atividade física e conta com uma feira de saúde aberta à população para a realização de exames gratuitos.

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